Na noite de 4 de julho de 2025, Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, foi morto por engano por um policial militar em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. O crime ocorreu quando o PM, envolvido em uma tentativa de assalto anterior, reagiu de forma desproporcional e atirou contra uma pessoa desarmada – disparando na cabeça de Guilherme pelas costas.
O jovem trabalhava como marceneiro e era descrito por familiares como dedicado à igreja, à família e ao emprego. Ele carregava apenas pertences pessoais – incluindo uma marmita, um livro e itens de higiene – no momento do disparo.
O PM responsável, Fábio Anderson Pereira de Almeida, foi preso em flagrante por homicídio culposo, pagou fiança de R$ 6.500 e foi liberado. Em seguida, foi dispensado do patrulhamento e realocado para o serviço administrativo na PM. Ainda não há confirmação de que ele será processado por homicídio doloso.
📌 Crítica à gestão Tarcísio e à cultura da impunidade
Esse episódio expõe a queixa recorrente de racismo institucional na Polícia Militar de SP, especialmente amparada pela atual gestão. A deputada Simone Nascimento, do Movimento Negro Unificado, destacou:
“O alvo preferencial é sempre preto, pobre e periférico. […] A Polícia Militar sempre alega que foi por engano, mas … a ideia de que pessoas negras são os sujeitos padrão da desconfiança.”
Segundo especialistas, como o professor Rafael Alcadipani (FGV), há um claro incentivo à letalidade policial, reforçada por uma liderança que favorece abordagens mais violentas.
O governador Tarcísio de Freitas e o seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite – ex-integrante da temida ROTA – carregam histórico de redução de transparência. Em 2023, houve corte de R$ 37 milhões no uso de câmeras corporais pela PM, enquanto os casos de mortes em intervenção cresceram 34 %. A operação Escudo, na Baixada Santista, foi denunciada à ONU pela letalidade excessiva sob o alerta do atual governo.
Além disso, no caso recente de Marco Aurélio, estudante de medicina baleado em Vila Mariana em novembro de 2024, Tarcísio sinalizou punição severa por abusos – mas sem transformar promessas em ações estruturais eficazes.
Políticos de oposição exigem providências
A tragédia reacendeu a cobrança por renúncia ou demissão do secretário Derrite. Deputado Paulo Fiorilo (PT) declarou:
“A culpa é do Tarcísio, que não toma atitude e precisa tirar o Derrite urgente e reorientar a Polícia.”
Guilherme Cortez (PSOL) reforça que esse não é um caso isolado e que há impunidade sistemática por parte da cúpula de segurança .
Pontos urgentes para ação
- Revisão das diretrizes de uso da força – evitar classificações frouxas como “erro de percepção” em disparos com fatalidades.
- Reforço da transparência institucional, com ampliação imediata do uso de câmeras corporais – e responsabilização quando omissas.
- Afastamento político de responsáveis, incluindo Derrite, até que padrões institucionais mudem.
- Criação de mecanismos independentes para investigação, para evitar autocobertura policial.
A morte de Guilherme não deve ser tratada como fatalidade isolada: revela o risco cotidiano que jovens negros e trabalhadores pobres enfrentam nas ruas de São Paulo. O governo Tarcísio falha em transformar promessas de punição em mudanças concretas – e a omissão política pode resultar em mais vidas perdidas. Sem ajustes estruturais urgentes, os casos trágicos tendem a se repetir.
Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.
Para saber mais sobre outros conteúdos, clique aqui e acesse a home do nosso portal.
