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sábado, 7 de março de 2026

Jovem negro é executado por erro de policial: Tarcísio sob pressão

Na noite de 4 de julho de 2025, Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, foi morto por engano por um policial militar em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. O crime ocorreu quando o PM, envolvido em uma tentativa de assalto anterior, reagiu de forma desproporcional e atirou contra uma pessoa desarmada – disparando na cabeça de Guilherme pelas costas.

O jovem trabalhava como marceneiro e era descrito por familiares como dedicado à igreja, à família e ao emprego. Ele carregava apenas pertences pessoais – incluindo uma marmita, um livro e itens de higiene – no momento do disparo.

O PM responsável, Fábio Anderson Pereira de Almeida, foi preso em flagrante por homicídio culposo, pagou fiança de R$6.500 e foi liberado. Em seguida, foi dispensado do patrulhamento e realocado para o serviço administrativo na PM. Ainda não há confirmação de que ele será processado por homicídio doloso.

📌 Crítica à gestão Tarcísio e à cultura da impunidade

Esse episódio expõe a queixa recorrente de racismo institucional na Polícia Militar de SP, especialmente amparada pela atual gestão. A deputada Simone Nascimento, do Movimento Negro Unificado, destacou:

“O alvo preferencial é sempre preto, pobre e periférico. […] A Polícia Militar sempre alega que foi por engano, mas … a ideia de que pessoas negras são os sujeitos padrão da desconfiança.” 

Segundo especialistas, como o professor Rafael Alcadipani (FGV), há um claro incentivo à letalidade policial, reforçada por uma liderança que favorece abordagens mais violentas.

O governador Tarcísio de Freitas e o seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite – ex-integrante da temida ROTA – carregam histórico de redução de transparência. Em 2023, houve corte de R$37 milhões no uso de câmeras corporais pela PM, enquanto os casos de mortes em intervenção cresceram 34%. A operação Escudo, na Baixada Santista, foi denunciada à ONU pela letalidade excessiva sob o alerta do atual governo.

Além disso, no caso recente de Marco Aurélio, estudante de medicina baleado em Vila Mariana em novembro de 2024, Tarcísio sinalizou punição severa por abusos – mas sem transformar promessas em ações estruturais eficazes.

Políticos de oposição exigem providências

A tragédia reacendeu a cobrança por renúncia ou demissão do secretário Derrite. Deputado Paulo Fiorilo (PT) declarou:

“A culpa é do Tarcísio, que não toma atitude e precisa tirar o Derrite urgente e reorientar a Polícia.” 

Guilherme Cortez (PSOL) reforça que esse não é um caso isolado e que há impunidade sistemática por parte da cúpula de segurança .

Pontos urgentes para ação

  1. Revisão das diretrizes de uso da força – evitar classificações frouxas como “erro de percepção” em disparos com fatalidades.
  2. Reforço da transparência institucional, com ampliação imediata do uso de câmeras corporais – e responsabilização quando omissas.
  3. Afastamento político de responsáveis, incluindo Derrite, até que padrões institucionais mudem.
  4. Criação de mecanismos independentes para investigação, para evitar autocobertura policial.

A morte de Guilherme não deve ser tratada como fatalidade isolada: revela o risco cotidiano que jovens negros e trabalhadores pobres enfrentam nas ruas de São Paulo. O governo Tarcísio falha em transformar promessas de punição em mudanças concretas – e a omissão política pode resultar em mais vidas perdidas. Sem ajustes estruturais urgentes, os casos trágicos tendem a se repetir.

Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.

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