Viva Santo André

sábado, 7 de março de 2026

Morte de Victoria, de 16 anos, revela tragédia e omissão do governo de São Paulo

A jovem Victoria Manoelly dos Santos, de apenas 16 anos, foi morta durante uma abordagem policial no bairro de Guaianases, Zona Leste de São Paulo. A cena, registrada por uma câmera corporal da própria Polícia Militar, mostra o sargento Thiago Guerra dando uma coronhada em um jovem, seguida de um disparo que tirou a vida de Victoria.

O caso ocorreu em janeiro, mas as imagens só vieram a público após serem anexadas ao processo pelo Tribunal de Justiça em 28 de maio, e revelam um cenário brutal, contraditório e negligente. A família da vítima presenciou toda a ação, que começou quando Kauê Lima, irmão da adolescente, foi abordado pelos PMs ao se aproximar de uma praça com familiares após o trabalho.

Kauê foi puxado pela camisa e protestou: “Tira a mão de mim.” Na sequência, o sargento desfere a coronhada e a arma dispara. O disparo que matou Victoria foi registrado em vídeo, desmontando a versão oficial inicialmente apresentada pelo policial no boletim de ocorrência, que alegava reação do jovem como causa do disparo acidental.

A mãe de Victoria, Vanessa Priscila dos Santos, viveu o horror de ver sua filha morrer sem socorro. “Ajoelhei e pedi pelo amor de Deus. Eles não ajudaram. Estavam mais preocupados em prender meu filho”, contou. O socorro não veio dos agentes, mas o desespero da família permanece.

A Secretaria da Segurança Pública confirmou que o sargento está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes. O inquérito da Polícia Civil, conduzido pelo delegado Victor Sáfadi Maricato, concluiu que o PM agiu com dolo eventual — ou seja, assumiu o risco de matar ao dar a coronhada. Ele foi indiciado por homicídio.

O crime, mais um episódio de violência policial com resultado fatal, escancara uma ferida aberta em São Paulo: até quando o Governo do Estado vai assistir calado à morte de jovens negros e periféricos pelas mãos da própria polícia?

É inaceitável que em pleno 2025, com tecnologias como câmeras corporais e legislação clara, ainda se permita que ações tão violentas terminem em tragédias como essa. A responsabilidade recai diretamente sobre o governador Tarcísio de Freitas e sua gestão da segurança pública, que precisam responder por mais uma morte provocada pela estrutura que deveriam controlar.

A família de Victoria exige justiça, e a sociedade cobra: quantas mortes ainda serão necessárias para que o Estado assuma sua responsabilidade e mude, de fato, sua política de segurança?

Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.

Para saber mais sobre outros conteúdos, clique aqui e acesse a home do nosso portal.