Viva Santo André

quarta-feira, 20 de maio de 2026

“70% das reclamações são contra a Sabesp”: privatização vira alvo de CPI após água cara, falta d’água e denúncias sobre qualidade

A privatização da Sabesp, defendida pelo governador Tarcísio de Freitas como solução para melhorar o abastecimento e reduzir tarifas, passou a enfrentar uma forte onda de críticas em São Paulo. Dados apresentados em discussões recentes na Assembleia Legislativa apontam que cerca de 70% das reclamações registradas sobre saneamento no estado têm relação com a companhia.

As denúncias envolvem falta de pressão na rede, interrupções constantes no abastecimento, aumento no valor das contas e episódios de água barrenta ou escura chegando às torneiras. A situação levou parlamentares da oposição a pressionarem pela criação de uma CPI para investigar os impactos da privatização e a qualidade do serviço prestado.

Antes da venda da empresa, o governo paulista prometia redução nas tarifas e maior eficiência operacional. A expectativa apresentada era de queda de até 10% nas contas de água. Porém, moradores de diferentes regiões relatam um cenário oposto: cobranças mais altas e piora no abastecimento, principalmente nas periferias e bairros mais altos da Região Metropolitana.

Em diversos bairros da capital e do ABC, consumidores afirmam que a água desaparece durante a noite e retorna de madrugada com baixa pressão. Em muitos casos, famílias passaram a armazenar água em baldes e caixas improvisadas para conseguir cozinhar, tomar banho e realizar tarefas básicas.

Outro ponto que gera preocupação são os relatos de água escura, barrenta e com cheiro forte após períodos sem abastecimento. Especialistas alertam que reduções frequentes de pressão podem aumentar riscos de contaminação em redes antigas e fragilizadas.

As críticas também atingem a gestão da empresa após a privatização. Sindicatos e funcionários denunciam redução de equipes técnicas, aumento das terceirizações e diminuição da capacidade operacional justamente em um serviço considerado essencial para a população.

A crise reacendeu lembranças da grave escassez hídrica enfrentada por São Paulo em 2014, quando o estado precisou recorrer ao chamado “volume morto” dos reservatórios para manter o abastecimento. Para especialistas, o atual cenário mostra que a promessa de eficiência do modelo privado ainda está longe de ser percebida pela população.

Enquanto o governo estadual afirma que a concessão trará benefícios a longo prazo, cresce o número de moradores que questionam se a privatização realmente melhorou a vida dos paulistas — ou apenas tornou a água mais cara e mais difícil de chegar às torneiras.

Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.

Para saber mais sobre outros conteúdos, clique aqui e acesse a home do nosso portal.